• Daniel Menezes Gil

As incertezas continuam

No Brasil, a pandemia continua a influenciar o convívio social e a atividade econômica, com reflexos profundos no desempenho das empresas, sem sabermos se o home-office se tornará permanente para algumas funções, a venda pela internet se manterá ou aumentará nos níveis praticados neste período do isolamento, e outros efeitos inimagináveis.

Enfim, muitas perguntas ainda sem respostas, embora, alguns indicadores já apontam para uma pequena retomada da economia, penso que estes indicadores refletem a evolução sobre uma base de dados baixa, que sofreu uma enorme queda com o encolhimento econômico como reflexo da pandemia.

Ao longo destes meses, já escrevi temas como: “Lições para as empresas da crise sanitária mundial”, “Período de incertezas à frente”, “Planejamento” sobre as novas premissas em função do período e “Valuation” neste momento como uma ferramenta de organização o plano da empresa.

Em função das restrições e redução das atividades para as empresas, um novo ponto que parece importante, a partir deste momento, é a manutenção e evolução dos níveis de comercialização de seus perspectivos produtos e serviços para as empresas, sejam do setor varejista, industrial ou prestadores de serviços.

Vejo, como a forma do aumento e manutenção da escala para as empresas, deverá ser a integração da respectiva atividade com mercados externos, como proteção de quedas e também a possibilidade de incrementar e manter o volume das suas atividades, seja para o pequeno varejista que passaram a usar as ferramentas eletrônicas e plataformas das redes sociais, bem como para as indústrias e prestadores de serviços que possam atingir outros clientes fora do país.

Penso que esta inserção ao mercado internacional não tem volta e torna-se estratégico para as empresas, independente do seu tamanho. Também entendo que dois pontos importantes devam ser considerados para esta decisão.

O primeiro é quanto deve ser a participação no faturamento da empresa em relação ao mercado nacional e ao mercado internacional? E o segundo ponto, é tomar muito cuidado com as variações cambiais, relativas a valorização e desvalorização do Real R$, porque isto afeta diretamente o custo.

Quanto ao primeiro ponto, penso que o principal é fazer com que os custos fixos sejam cobertos pelo faturamento da atividade nacional, fazendo com que a atuação ao mercado internacional não tenha muita influência sobre estes compromissos, para que a variação cambial não reflita sobre o custo fixo, na qual estes custos tendem a não variar com o volume da produção e a se manter em determinado faixa de comportamento da atividade.

Em relação ao segundo ponto, o câmbio, é importante estar atento em relação a variação cambial e tenho percebido o desconhecimento em gerenciar esta importante variável que fará a diferença no resultado financeiro da operação comercial com empresas de fora.

Como a moeda Real é muito instável em relação a moedas mais fortes e estas variações refletem as incertezas da economia brasileira, em 2020 o comportamento da moeda nacional tem oscilado muito conforme apresento abaixo, a partir das informações do Banco Central para a cotação do dólar:


De acordo aos valores de fechamento de câmbio, tivemos em maio e em julho, até o dia 16, a valorização do Real, contra uma desvalorização mensal nos meses de janeiro, fevereiro, abril e junho, com grande reflexo no mês de março, influenciado pelo início das políticas sanitárias de enfrentamento da Covid-19.

A seguir apresento um exemplo de como a valorização ou desvalorização pode afetar o recebimento de R$ relacionados as vendas.


Acima apresento uma simulação para um faturamento de R$ 400.000,00 mil para o exterior, sendo que estes valores muitas vezes não são recebidos em prazo inferior a 30 dias, podendo serem feitos operações de hedge junto ao sistema financeiro, que também deverá influenciar no custo da empresa.

Na minha simulação, com uma valorização do Real de 5% ou 10%, os valores a serem recebidos pela operação em R$ será menor do que o valor de faturamento, conforme o saldo a receber pela empresa exportadora na linha da Diferença na tabela.

Porque no momento da conversão do dólar para o R$, estes dólares compraram menos R$ em relação aos reais iniciais.

Em situação inversa, no caso de uma desvalorização do Real de 5% ou 10%, os valores a serem recebidos pela operação em R$ será maior do que o valor de faturamento, em função de que o valor em dólares refletirá um aumento em reais, pela queda do preço da moeda, conforme o saldo a receber pela empresa exportadora na linha da Diferença na tabela.

No lado da desvalorização, a conversão do dólar para o R$, fará com que estes dólares comprem mais R$ em relação ao valor inicial.

Para que a empresa tomar os devidos cuidados sobre estas questões, será importante o acompanhamento do comportamento da moeda estrangeira em tempo real, seja dólar, euro ou qualquer outra, ligada ao seu parceiro comercial, acompanhar as tendências dos mercados e avaliar bem os custos da operação com o parceiro de fora.

Este relacionamento com mercados externos será uma tendência sem volta e as empresas devem aproveitar esta grande oportunidade para expandirem seus negócios, com olho nos custos que envolverão a operação, pois nestas parceiras externas sempre haverá uma diferença, poderá ser para mais ou para menos, e não necessariamente será de prejuízo.

Em caso de prejuízo, será importante minimizar os efeitos através de uma melhor modelagem na operação.

Daniel Menezes Gil

Economista


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