• Daniel Menezes Gil

Características das cidades prósperas

Com o efeito da globalização as cidades também vêm assumindo importantes funções para a integração das pessoas e dos negócios na esfera mundial. Segundo economistas e estudiosos que estudam as transformações das cidades, as que têm se destacado e prosperado ao longo das últimas duas décadas tem realizado transformações importantes em relação ao desenvolvimento econômico local e ao atendimento das necessidades de seus habitantes.

Os estudiosos e economistas; entre eles cito Edward Glaeser, no seu livro: O Triunfo da Cidade; destacam que as características das cidades prósperas estão baseadas em dois importantes pilares resultantes dos novos interesses e desafios dos novos tempos: o primeiro pilar é a necessidade de a cidade se promover como centro econômico competitivo, através da atração de empresas e do desenvolvimento de um ambiente de negócios; o segundo pilar identificado é a realização de investimento na qualidade de vida e na promoção para o bem estar da sua população.

No aspecto econômico quanto ao desenvolvimento de centros competitivos para os negócios, faz com que o novo desafio para as cidades seja torná-las globais, isto é, sejam atrativas para os negócios, tanto como se inserirem ao intercâmbio comercial, bem como despertem a atração de investimentos empresariais.

Assim as cidades tornam-se as vitrines na qual os países se exibem para o mundo, com atrativas para as empresas instalarem com seus escritórios, centros de distribuição ou parques industriais, e também sejam capazes de fornecer mão de obra qualificada a estas organizações.

Para tanto, o primeiro aspecto importante é a cidade oferecer a infraestrutura de bons portos, aeroportos, rodovias, estradas e comunicação como internet rápida. A infraestrutura deverá proporcionar condições ao bom fluxo de pessoas e mercadorias que chegam e saem de maneira fácil, rápida e eficiente para as organizações.

Outro aspecto que fazem as cidades prósperas se destacarem é a diversificação econômica, a mistura de setores complementares e independentes tem proporcionado a que as cidades não fiquem dependentes de um único segmento e isto acaba despertando o interesse de diversas empresas de fora e fomentando o intercâmbio comercial, gerando assim a sustentabilidade econômica local e oferta de empregos para sua população, proporcionando assim condições para driblar crises setoriais eventuais e minimização dos efeitos de períodos recessivos.

Em conjunto com estas novas características, também tem sido fator importante no apoio ao crescimento das cidades, o desenvolvimento de centros de conhecimento composto por organizações de pesquisas e universidades de ponta. Estas organizações têm sido responsáveis por gerarem mão de obra qualificada e estão focadas em apoiar o desenvolvimento e tem atuação integrada ao ambiente de negócios através da realização de pesquisas e da prestação de serviços de ciências e tecnologia.

Outro fator que vem complementando a promoção competitiva das cidades que prosperam é a eficiência da sua gestão política, caracterizadas pela elaboração de planos de gestão combinados com medidas simples e integradas com tecnologia. Para isto tem sido identificada pelos estudos a existência de projetos de médio e longo-prazo, com foco nas condições citadas aqui e que contemplaram investimentos constantes em infraestrutura e na sua manutenção.

Além do investimento público, outro instrumento para atração de empresas tem sido a criação de Agências de Atração e Promoção da Cidade. Estas Agências tem sido responsável em apresentar para as empresas de fora as condições das cidades para a atração dos respectivos investimentos.

É importante destacar que as políticas públicas a serem realizadas pela administração municipal estejam integradas com as ações de investimento na infraestrutura, focando nas suas melhorias e atuem sobre os gargalos, e assim a cidade possa apresentar suas facilidades e ser atrativa para se fazer negócios.

A facilidade é um ponto importante e aqui envolve os aspectos específicos da infraestrutura de aeroportos, portos, rodovias de acesso e transporte na cidade, segundo os estudos realizados por Edward Glaeser.

Quanto ao segundo pilar de destaque que se trata da qualidade de vida, estes estudos mostram que uma das consequências nas cidades prósperas tem sido o surgimento do interesse de pessoas mais bem-educadas buscarem estas cidades com alta qualidade de vida para morar.

Neste ponto se destaca à importância em oferecer infraestrutura de moradias acessíveis, com saneamento básico em toda sua área, o oferecimento de uma rede de transporte público de qualidade, uma ampla rede de educação e hospitais de qualidade e oferta de empregos a sua população. As políticas, também devem estar alinhadas com o crescimento sustentável no médio e longo-prazo, através dos aspectos relacionados com a natureza como a existência de áreas verdes e um eficiente serviço de coleta de lixos orgânicos e reciclável.

Outro fator influente para o estabelecimento de um padrão de qualidade de vida tem sido o investimento público na revitalização dos centros e áreas abandonadas com o foco de atração de moradores, escritórios, bares, restaurantes e centros comerciais para estas zonas, melhorando seus aspectos de vida.

Os estudiosos também apontam dois importantes fatores para as cidades serem competitivas no cenário global. Um fator é que a qualidade de vida tem sido e deverá ser uma característica importante a ser oferecido aos seus moradores, o segundo fator é a existência de universidades capaz de formar mão de obra especializada, realizar pesquisa de ponta e que estejam integradas com os ambientes de negócios locais.

Para que as cidades atendam a estes aspectos, isto é, tornem-se competitivas e sejam globais é necessária a existência de um projeto capitaneado pelo setor público e que esteja em seus desafios à redução dos tradicionais problemas como: congestionamentos de trânsitos, inexistência de doenças contagiosas, ampliação dos serviços de saúde e educação, redução ao máximo da violência e do alto custo de vida.

Os Projetos devem contemplar os aspectos citados nestes estudos e apresentados de forma resumida aqui. O mais importante é saber integrar a cidade aos movimentos econômicos mundiais, respeitando critérios do bem-estar da população como as metrópoles prósperas vêm fazendo e para isto é importante uma visão de longo prazo.

Saber onde quer estar nos próximos 10 anos e como irá fazer para tornar-se uma cidade próspera com estes novos conceitos para o desenvolvimento econômico local e o atendimento das necessidades de seus habitantes são fatores importantes a ser considerado nos Projetos das cidades que querem crescer e se integrarem a uma civilização mais avançada e isto está ao alcance de todos os governantes.

Encontramos exemplos do que foi citado através da observação e conhecimento do que foi e está sendo feito em algumas cidades pelo mundo como Londres, Melbourne, Pittsburgh, Roterdã, entre outras, portanto suas políticas podem ser copiadas e implementadas com foco e benefício da sua população.

Esta é uma contribuição para reflexão ao crescimento das nossas cidades.

Daniel Menezes Gil .ˑ.

Economista

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